Início No Estado “É difícil explicar” sensação, diz mãe de vítima após condenação de PRF

“É difícil explicar” sensação, diz mãe de vítima após condenação de PRF

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Ao fim do julgamento do policial rodoviário federal Ricardo Hyn Su Moon, de 49 anos, o silêncio que se fez no plenário do Tribunal do Júri para a leitura da sentença foi quebrado apenas pelas lágrimas de alívio de Marília Correia mãe do empresário Adriano Correia do Nascimento, assassinado aos 33 anos em um briga de trânsito.

Foram 30 minutos de espera, desde a decisão os jurados até a leitura da sentença. Antes, a juíza Denize de Barros Dodero avisou ao plenário lotado que manifestação sobre a pena estavam proibidas.

Moon recebeu a sentença de cabeça baixa, sem demonstrar qualquer reação e saiu do plenário assim que liberado. Do outro lado, a família de Adriano se emocionou em silêncio ao ouvir a condenação de 23 anos e 4 meses pelo assassinato do empresário e pelas tentativas de homicídio contra Vinícius Cauã Ortiz Simõe e Agnaldo Espinosa da Silva, de 51 anos.

“É difícil de explicar, mas espero que a justiça continue sendo feita perante a justiça dos homens, porque é uma dor profunda. Só outra mãe vai saber o quanto que estou sofrendo”, afirmou Marília Correia, mãe de Adriano, sem conseguir conter o choro de alívio após o dia de julgamento.

Os policiais rodoviários federais que acompanharam o júri, todos vestidos com camisas em tons de azul em um sinal de apoio ao colega, preferiram não falar com a imprensa. Já o advogado Renê Siufi, que atua na defesa do policial, afirmou que a condenação vai contra todas as provas do processo e por isso vai recorrer à decisão.

“Respeito à decisão, mas acho que é um atestado para que pessoas bêbadas saiam por ai matando”, alegou Renê Siufi. Moon recebeu o direito de aguardar o resultado de recurso em liberdade e por isso voltou para casa nesta quinta-feira.

Entenda – O caso aconteceu manhã do dia 31 de dezembro de 2016, na Avenida Ernesto Geisel, esquina com a Rua 26 de Agosto, em Campo Grande. De acordo com o Ministério Público, o acusado matou Adriano e tentou matar as outras duas vítimas. O policial conduzia um veículo Mitsubishi Pajero, enquanto Adriano estava em uma caminhonete Toyota Hilux.

O primeiro julgamento do caso aconteceu pouco mais de dois anos e três meses do crime, no dia 11 de abril, mas foi cancelado depois que um dos sete jurados teve crise de hipertensão.
Nesta manhã, pela segundo vez neste ano, Vinícius Cauã Ortiz Simõe, e Agnaldo Espinosa da Silva, que estavam no veículo com Adriano no momento do crime, prestaram depoimento no tribunal do júri. Mais uma vez, a versão dos dois sobre os acontecimentos que levaram a morte de Adriano foi diferente da defendida por Moon.

Enquanto Agnaldo afirmava que Adriano teve o carro fechado pelo policial, que foi xingado por ele e pediu desculpa por três vezes antes de ser assassinado, Moon relatou que estava parado em um semáforo na Rua 26 de Agosto quando o empresário trocou de pista e parou bruscamente atrás de seu veículo. Com medo de ser vítima de um assalto ou de execução, desceu e abordou os ocupantes da caminhonete.

Moon explicou que se identificou como policial e só disparou quando percebeu que Adriano funcionou a caminhonete em que estava para deixar o local. ”Bala não para carro. O que iria parar seria uma ação contra o operador do veículo. Tudo foi na intenção de legítima defesa e para resguardar a vida”, explicou o PRF.

Nesta tarde, por maioria dos votos os jurados decidiram pela condenação do policial pelos crimes de homicídio qualificado e pela dupla tentativa de homicídio. A juíza Denize de Barros Dodero determinou então pena de 14 pelo assassinato de Adriano e 4 anos e oito meses pelos outro dois casos. A sentença inicialmente será cumprida em regime fechado.

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