Caixa pode retomar casas populares de 208 famílias por irregularidades em Campo Grande

Após as denúncias envolvendo moradias populares no Jardim Canguru entregues durante visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) em Campo Grande, a Amhasf (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) informou que atualmente são 208 denúncias sendo apuradas em moradias populares pela Caixa Econômica Federal. As denúncias vão de aluguéis e vendas irregulares e o residencial campeão de denúncias soma 154 irregularidades.

Conforme o diretor de atendimento, administração e finanças da Amhasf, Cláudio Marques Costa Junior, 39% das denúncias são apuradas pela agência municipal e 61% pela Agehab (Agência de Habitação Popular).

Localizado no bairro Nova Campo Grande, o Residencial Nelson Trad é o campeão de denúncias de irregularidades. Além dele, a Amhasf apura compras e aluguéis indevidos nos residenciais Aero Rancho I e II, Leonel Brizola, José Maksud, Ary Abussafi, Gregório Correia, Vila Fernanda, além do Residencial Rui Pimental I e II, que tem 30 denúncias em investigação.

Marques explica que a maioria das denúncias possui processo, algumas estão em fase de notificação judicial e alguns em reintegração de posse. No entanto, devido a uma liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) que impedia despejos, o andamento dos processos foi ‘congelado’. Mas em 30 de junho a liminar caiu e, com isso, o andamento dos procedimentos seguem automaticamente.

“Hoje, com rescisão e reintegração, são 15 processos em fase final de retomada”, explicou o administrador de finanças da agência.

Vale lembrar que as agências de habitação são responsáveis pela fiscalização das moradias, mas quem apura e avalia as punições para quem vende ou arrenda os apartamentos populares, é a Caixa Econômica Federal. Se identificado irregularidade, é possível que o morador possa sofrer prejuízos, processo judicial e até mesmo a perda do bem adquirido.

‘R$ 4,5 mil pode vir buscar a chave’
A inauguração mal tinha sido finalizada e alguns moradores do Residencial Jardim Canguru, na região sul de Campo Grande, já usavam as redes sociais para negociar os apartamentos.

O Midiamax conversou com uma pessoa que mora na região. O jovem, que não será identificado, está desde ontem oferecendo uma motocicleta em troca de um apartamento. A intenção dele é entregar a moto e assumir as parcelas mensais de R$ 130.

“Estou oferecendo a minha moto desde ontem e já soube que três apartamentos foram vendidos, logo após a inauguração. Ontem eu quase peguei um. O rapaz ‘tava’ querendo R$ 5 mil e, no desespero, vendeu por R$ 3 [mil]. Fui falar com ele novamente e já tinha vendido. Outras duas pessoas que falei já tinham vendido também”, argumentou o rapaz.

Como denunciar?
Em meio às denúncias e investigações de irregularidades em apartamentos populares de Campo Grande, a Amhasf (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) informou como os moradores podem denunciar casos suspeitos de vendas e aluguéis.

Conforme explicou que as denúncias têm que conter as informações necessárias para serem verificadas pela agência, como número do apartamento e bloco. As denúncias podem ser feitas no telefone (67) 3314-3900.

A Amhasf é responsável pela fiscalização das moradias, mas quem apura e avalia as punições para quem vende ou arrenda os apartamentos populares, é a Caixa Econômica Federal. Se identificado irregularidade, é possível que o morador possa sofrer prejuízos, processo judicial e até mesmo a perda do bem adquirido.

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